terça-feira, 24 de maio de 2011

DISCURSO NA CÂMARA DE VEREADORES DE PIRACICABA


Boa noite a todos!
Primeiramente agradeço a todos os vereadores desta casa, é com muito orgulho que  represento a comunidade LGBT, perante as autoridades e população aqui presente. Meu nome é Taciana Batista, defensora sensibilizada pela causa Contra a Homofobia, conto com a prenseça de minha familia, meu marido e meus três filhos aqui presentes, além de amigos homossexuais ou não. Alguns dos Senhores devem estar se perguntando o que faço aqui? Simples cumprindo com meu dever de ser humano, defendendo o fim de todas as diferenças.       Agradeço ao vereador Sr. Bruno Prata que além de ser um homem com todas as qualidades possíveis em um
legislador, demonstrou coragem por defender um grupo tão perseguido por preconceitos e paradigmas, se destacando por defender, não somente classes e sim o ser humano.
Agradeço também os defensores da causa Contra a Homofobia, o Piracicabano Sr. Wilson Roberto Batista, formado em Administração de Empresas e Funcionário Publico Estadual e o Médico Dr. Éverton de Lima Oliveira de Guaxupé Minas Gerais na elaboração deste texto.
    Nossas conquistas nos últimos dias são de grande importância, a começar do  julgamento histórico da Corte maior que  é uma manifestação dizendo que a união homoafetiva é uma entidade famíliar e merece ser reconhecida e respeitada como tal.               Em Piracicaba o “Dia Municipal Contra a Homofobia”, comemorado no dia 17 de maio, demonstra a coragem da Câmara Municipal em favor dos homossexuais.
   Está tramitando, no Senado federal, o Projeto de Lei Complementar 122/06, que criminaliza a Homofobia. Por causa dela, acusa-se os gays de quererem tolher a liberdade de expressão. Esquecem-se de que, quem propôs a lei foi uma deputada heterossexual, sensibilizada pelas condições de humilhação, violência, ridicularização, atitudes discriminatórias no mercado de trabalho e bullying tolerado e até encorajado nas escolas, não por professores mas pela sociedade em geral.
A lei tem o objetivo de incentivar posturas de respeito aos gays, às lésbicas, aos bissexuais, às travestis e aos transgêneros.
    Da mesma forma como não se deve perseguir, ridicularizar ou discriminar as pessoas, seja pela cor de pele, pela fé que professam, ou pela região onde nascem, a mesma atitude de respeito deve haver com as pessoas que não tenham a mesma orientação sexual ou identidade de gênero que a maioria da população.
    O 17 de maio é o dia contra a homofobia ou seja, “o medo de quem gosta do igual” que na verdade é uma consequencia da xenofobia “medo de tudo que seja estranho ao seu modo de olhar”.  A homofobia pode ser comparada ao Anti-setismo de Hitler ou o racismo!
    Recentemente têm aparecido vozes obscuras e autoritárias que querem distorcer e destruir a democracia pela qual milhares de brasileiros morreram durante a ditadura militar. Essas vozes pregam que democracia é o direito de a maioria oprimir às minorias. A democracia que devemos construir é aquela que promove a dignidade de todas as pessoas, onde todos são, ao mesmo tempo, iguais em direitos e em deveres, mas diversos em suas individualidades.
  Mesmo sendo a liberdade de expressão um valor a ser respeitado, ela não pode sobrepor-se aos direitos fundamentais, nem deve ser isenta de responsabilidade pelo seu uso indevido.
    Religiosos que atacam a homoxesualidade com a mesma voracidade verbal e muitas vezes insitam os familiares de gays a ser contra sua homoxesualidade, esquecem que Deus é misericordioso e clemente e que “Tão longe como o nascente é do poente, tão longe de nós as nossas transgressões. Porque ele conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos do pó.”
    Nossa luta não se restringe a ser, homossexual ou hétero, negro ou branco, cristão ou ateu, nossa luta é pela evolução de pensamento da raça humana.
    Acreditamos que todo processo de evolução, deve ter como base à educação e a cultura. Cultura que do latim quer dizer “cultivar”, então reivindicamos o direito de cultivar nossas diferenças, sejam elas quais forem, e que nossas conquistas devem ser respeitadas e que sejam motivo de orgulho a todos.
    Assim como todas as diferenças devem ser respeitadas, não é nosso objetivo incentivar a homossexualidade e sim respeitar o direito de todos a livre escolha seja ela qual for, desde que esteja dentro da lei e não desrespeite o proximo.
    Nossa luta é contra toda fobia sexual, sendo esta pacífica.  Acreditamos  plenamente que através do diálogo e conscientização podemos fazer um mundo mais justo e sem preconceitos, seguindo o exemplo de  nosso Senhor Jesus, devemos usar argumentos, baseados no direito de sermos aceitos pela sociedade como somos sem restrições.
     Há diversidade no Brasil é grande e não deve ser ignorada, é ela que faz de nós o povo mais alegre do mundo.
    Então qual a razão de sermos preconceituosos com a homossexualidade?   O homossexual quando aceito, através de muita luta e coragem de assumir sua opção é muito feliz e cordial, tornando o meio onde convive alegre e jovial.
     O sentido coloquial da palavra gay todos conhecem. Mas o adjetivo “gay” em nada se relaciona com orientações sexuais. Se pesquisarmos no dicionário, veremos que o adjetivo gay significa feliz e cheio de alegria, cores vivas e gente pra cima.
Então eu pergunto: “O mundo é gay?”. Não... o mundo é triste!
    Assim  acredito que não devemos dizer: Sim nos podemos! Ao contrário, devemos dizer: “Sim nós devemos”!
    O dia 17 de maio é muito importante para todos nós, heterossexuais, gays, negros, brancos, indígenas, católicos, judeus, evangélicos, crianças, idosos, homens e mulheres. Essa comemoração marca mais um passo na constituição de uma sociedade que rima pelo respeito, pela liberdade e pela democracia.
    Feliz será o dia em que não precisaremos mais de leis que nos obriguem a ter comportamentos que deveriam ser espontâneos.  Nesse dia seremos regidos pela lei maior que Jesus nos deixou: a que pede que amemos uns aos outros, como ele nos ama e que tratemos uns aos outros como, gostaríamos de ser tratados.

Obrigado a todos.
 


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Piracicaba celebrará o Dia Municipal de Combate à Homofobia

PARABÉNS VEREADOR 


Por iniciativa do vereador Bruno Prata (PSDB), a próxima terça-feira marcará a primeira vez em que Piracicaba celebrará o Dia Municipal de Combate à Homofobia. A criação da data, que passa a ser comemorada anualmente em 17 de maio, foi definida em reunião ordinária da Câmara na noite desta quinta-feira (12), com a aprovação, em segunda discussão, da nova redação do projeto de lei 83/2011, apresentado por Prata.
A iniciativa tem o objetivo de promover o direito à livre orientação sexual. Segundo a justificativa encaminhada por Prata, a instituição do Dia Municipal de Combate à Homofobia incentiva as ações que proporcionam a discussão sobre o direito à livre orientação sexual, bem como a visibilidade de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. A tentativa é gerar reflexões sobre a violência a que tais pessoas têm sido submetidas no país, já que, de acordo com um relatório do Grupo Gay da Bahia, só no ano passado 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil.
O número coloca o país no topo do ranking mundial de assassinatos de homossexuais. Enquanto nos Estados Unidos foram registrados 14 homicídios de travestis em 2010, no Brasil houve 110 assassinatos no mesmo período. Além disso, o risco de um homossexual ser morto violentamente no Brasil é 785 por cento maior que nos Estados Unidos, segundo o levantamento coordenado pelo antropólogo Luiz Mott.
Outra pesquisa, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), mostrou que, entre os alunos dos ensinos fundamental e médio, 39,4 por cento dos garotos e 16,5 por cento das meninas não gostariam de ter homossexuais como colegas de classe. Entre os pais desses estudantes, o índice dos que não desejariam que homossexuais fossem colegas de classe de seus filhos alcançou 41,5 por cento .
A escolha da data para a instituição do Dia Municipal de Combate à Homofobia coincide com uma data histórica. Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade do rol de enfermidades classificadas como doença ou perversão. O ato reconheceu que a homossexualidade é um estado mental tão saudável quanto a heterossexualidade e tornou-se um dos mais importantes marcos para o avanço da cidadania de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.
"Solenizar anualmente o dia 17 de maio como"Dia Municipal de Combate à Homofobia"--além de aproximar o Brasil dos países mais civilizados do mundo, que já incluíram tal data em sua agenda anual de celebrações-- proporciona uma profunda discussão e reflexão sobre o cenário discriminatório que gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais convivem em nosso país", diz Bruno Prata na justificativa do projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores de Piracicaba nesta quinta-feira.